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sábado, 14 de janeiro de 2012

O dia em que fiquei do lado das Mulheres Fruta

Eu sou uma viciada em TV paga. Mesmo. Eu adoro qualquer canal que esteja passando seriados ou jogos de qualquer esporte ou filmes ou documentários, se deixar eu largo tudo pra ver maratona de “Law & Order: SVU” e fico lá tentando adivinhar o culpado, olhando pra onde o roteiro vai levar e assistindo. Sendo assim eu quase nunca vejo TV aberta, não me comovo com novelas, não me deixo pegar por dramas alheios em programas de auditório e só cedo às minisséries que acho legais (comecei a ver “Dercy de verdade”).

Mas como comigo desgraça pouca é bobagem, eu me mudei e meu prédio não aceitava antena, tive que abandonar a Tv paga for now... e aprender a garimpar a TV aberta, porque no final TV é companhia mesmo quando estou lendo, o barulho me aconchega.

Dito isso estava eu entediada zapeado os canais e paro de repente no “Superpop”, o tema da discussão do dia era “sensualidade VS vulgaridade” de um lado estava Ângela Bismarchi , Grace Kelly (aka Mulher Maçã) e mais duas ou três modelos, do outro lado estava uma família típica: a mãe na faixa dos 40 e tantos, o pai mais sarado e com pinta de safado, a filha.... ahnnn a filha, já falo mais sobre ela, e o filho um adolescente com aquela cara de voyeurzinho. Eu sei que minha descrição por si só já parece tendenciosa, mas eu já assisti então fica difícil tirar a camada de análise.

Angela, nosso arauto da sensatez
(Foto: Eliana Santos - EGO)
Eu não vou esmiuçar aqui a discussão, porque gente é o “Superpop”, logo vocês podem esperar mulher fruta com roupa decotada, ensaios sensuais sendo mostrados, o pai dizendo que o que é bonito é pra se mostrar, a mãe dizendo que não acha isso bom, que é falta de vergonha, o muleque voyeur dizendo que elas são lindas... nada que você, amado leitor não pudesse esperar de uma “discussão” dessas. O que eu quero dizer é que pela primeira vez na vida eu fiquei do lado das mulheres fruta e da muito bem articulada, diga-se de passagem, Ângela Bismarchi.

Um adendo: eu não sou favorável ao estilo dessas mulheres, eu não gosto, acho que muitas vezes a coisa é tão gritante que cai no ridículo, acho que esse tipo de estereótipo mais prende do que liberta a mulher, que ele nos transforma em simples bonecas infláveis, mas... cada um com seu cada um. Se a piriguete quer usar shortinho curto no inverno, o problema é dela, eu prefiro calça jeans e cada um segue no seu quadradinho. Eu é que não vou sair por aí achando que mulher assim é vagabunda, porque meu conceito de vagabunda é bem outro.

A questão: por que eu fiquei do lado das mulheres fruta?
Resposta: A filha.

A Maçã da sabedoria
Eu olhei pra carinha dela, era estranha, uns óculos que querem dizer “eu sou inteligente”, a trança pra trás, era normal para feinha, mas não horrível, e aí ela abre a boca e você ouve o recalque estampado em cada frase maldosa, ouve a raiva por não ser bonita em cada condenação, e ela ainda se diz inteligente e solta um “seje”. PRONTO. O ódio se instala. Você começa a perceber que a cada ataque recalcado da menina uma Ângela Bismarchi super centrada se defende sem um erro de português, com parcimônia e lucidez e mesmo uma super ácida mulher maçã é mais verdadeira em debochar das tranças da menina depois de ter sido atacada.

Eu sei que eu não poderia esperar nada muito maravilhoso de um debate no “Superpop”, mas seria pedir muito colocar uma menina nova e bonitinha que fosse contrária para equilibrar a parada? Tem que botar o estereótipo da mulher mal comida? E ela ainda é burra! Não tem como não defender a mulher fruta, não tem como não concordar quando ela diz que usa aquilo porque quer e que cada um tem que respeitar a liberdade do outro, não tem como não entrar pro #teamÂngelaBismarchi.

É estranho dizer isso, mas mesmo sempre execrando programas como esse, ele me mudou, eu sempre respeitei o direito de cada um, mas torcer por uma mulher fruta me mostrou que às vezes eu sou a filha recalcada e que se eu não gosto eu deveria simplesmente “ligar o foda-se” e seguir em frente.

(Eu continuo não concordando com essas mulheres, minhas opções e gosto são outros...)

De hoje em diante torço pras mulheres fruta que se vendem na feira mas sabem o que fazem e não pras meninas recalcadas que não dão pra ninguém com medo da fama mas que se tocam furtivamente cheias de culpa em casa. PRONTO.

(Quer um pequeno vislumbre do inferno? Dá uma olhadinha no link de um pedaço do programa que a Paulitcha achou: http://migre.me/7B72I)

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