Eis a apresentação da Madonna ontem no Super Bowl.
E o que falar do show? Nada. Não há palavras que descrevam o que eu e todo mundo que estava assistindo sentiu. Madonna está prestes a fazer 30 anos de carreira, podia ser minha avó, e continua fazendo todo mundo ficar de boca aberta com tudo que faz.
Mas claro que eu humildemente quero fazer uma análise da performance, de todas a as referências e sua genialidade. Quanto ao playback? Who cares? Todo mundo sabe que não tem como fazer teste de som no halftime porque não dá tempo, além disso, o staff tinha 7 min. para montar toda aquela estrutura. Fora que todo mundo faz playback no Super Bowl... Ah, mas os Rolling Stones cantaram ao vivo! Bem, os Rolling Stones foram lá eles, e só. O que aconteceu ontem foi uma apoteose, aliás, realmente, Madonna praticamente levou a Sapucaí para Indianápolis. Pensando nisso, poderia ter rolado um feat. com a JLo também, né?
Mas enfim, Madonna poderia ter cantado ao vivo? Claro! Fez alguma diferença que diminuiu a grandiosidade da performance? ABSOLUTELY NOT.
Voltando, a primeira música da apresentação foi Vogue.

Madonna entrou no estádio fazendo uma releitura da entrada triunfal de Liz Taylor como Cleópatra, em sua chegada à Roma.
Surge então a rainha, em toda a sua majestade, na primeira das fabulosas roupas que Riccardo Tisci, da Givenchy, desenhou especialmente para ela. O adorno de cabeça era Philip Treacy, o mesmo que fez a cabeça das convidadas do Casamento Real com seus fascinators.

Madonna segue então fazendo a coreografia em seu merecido trono. Nesse momento é facilmente perceptível que as referências históricas ficam um pouco perdidas, olhando os figurinos das centenas de pessoas no palco percebe-se referências romanas, gregas, egípcias, nórdicas e até mesmo orientais. Madonna executou Vogue com movimentos egípcios, que lembraram a coreografia de Vogue na sua Girlie Show Tour de 1993, em que a mesma usa referências hindus e também na Re-Invention Tour de 2004, em que Madonna encarna uma Maria Antonieta estilizada.
Em seguida, quando começa a parte da música em que Madonna cita os seus ícones, as fotos dos mesmos vão aparecendo em projeções no palco inteiramente de LED. Além disso, rolou uma homenagem à bíblia da moda mundial, a revista Vogue.
A próxima música é Music, "cantada" em remix. Madonna logo no início da canção (minuto 3:56) dá uma desequilibrada e quase não consegue subir de volta na arquibancada. Logo em seguida:
Parece que ela não se abalou com a queda. Aqui enfim consegui ver onde o Cirque Du Soleil tinha de fato colaborado na apresentação, mas... meio dispensável esse equilibrista, não?
Começa então um mashup com Party Rock Anthem e Sexy And I Know It da dupla "engraçadona" LMFAO que aparece e dança com a rainha.
Em seguida começa o novo single Give Me All Your Luvin' e Madonna se transforma numa cheerleader. Surgem Nicki Minaj e M.I.A. que se juntam ao palco.
Olha, só Madonna para conseguir convencer M.I.A., ativista, revoltada, crítica do modo de vida americano, de Born Free e a recente Bad Girls, a se vestir de cheerleader, cantar e dançar sorridente no maior evento da televisão americana. Claro que a gata não perdeu a oportunidade de mostrar o dedo do meio, momento em que o vídeo logo em seguida dá uma cortada. Fico imaginando os técnicos cuspindo o café nessa hora.
Madonna então despacha as assistentes e surge Cee Lo Green como líder da banda para torcer ao lado da Diva. Juntos eles cantam trechos de Open Your Heart e Express Yourself e todo mundo enlouquece.
Tudo fica escuro e reaparecem os dois, já com novo figurino, para cantar, ao lado de um coral, Like a Prayer (reparem que Cee Lo está absolutamente desconfortável com a altura e também com seu figurino que insistia em não fechar na frente). Nessa parte, mais uma vez pude notar bastante semelhança com a Blond Ambition Tour de 1990, especialmente pela movimentação no palco, as túnicas pretas e Madonna se jogando no chão em contrição, e também com o polêmico clipe da própria canção.
Madonna então desaparece em fumaça, tragada pelo palco. Ao fim, para fechar com chave de ouro, o clichê dos clichês: World Peace.
Gracie Lou Freebush aprova.
Uma palavra talvez: inesquecível.
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